Os hagiotopónimos, topónimos de cariz religioso, geralmente consagrantes de santos, são predominantes em Lisboa. País de um ardor religioso que no entanto já ardeu mais intenso, Portugal utiliza-os como uma exteriorização no terreno da sua fé, a qual, permanecendo no campo do etéreo permite-se assim no concreto.
Os hagiotopónimos estão nas igrejas, capelas, ermidas e conventos, mas também titulam ruas e travessas, escolas e associações, tendo inclusive assento na residência de órgãos de soberania. Mas o rol mais imponente de santos na cidade secular prende-se, sem dúvida, à sua qualificação das freguesias da capital. Das 52 presentes talvez apenas uma dezena não se prendam ao campo do religioso católico.
No entanto, a apropriação religiosa da cidade nem sempre foi consensual. Vejamos o que escreveu em 1935, com graça, o ilustre olisipógrafo Gomes de Brito:
“No Roteiro das ruas de Lisboa se pode ver que há nesta cidade, verdadeira imagem da corte do céu, tantos são os santos que patrocinam as ruas com seus nomes veneráveis. [Gomes de Brito prossegue enumerando variadíssimos topónimos] (…).
Não declaramos guerra aos santos, ainda que bem desejemos ver a capital deste país mais ilustrada e menos santarrona. Temos, porém, sumo gosto, por isso mesmo, e porque estamos convencidos de que os santos só ficam bem nos altares, em ajudar a Câmara Municipal de Lisboa com algum alvitre, uma vez que outra vez oferecido, sem pretensão como sem doutorice, a prosseguir no louvável propósito de honrar a memoria d’aqueles conterrâneos nossos, e a de estrangeiros também, que publicamente, e por actos ou factos meritórios, se hajam distinguido entre nós, bem merecendo, portanto, da posteridade reconhecida e ilustrada. (…)”
De então para cá Lisboa tem continuado a consagrar o religioso na sua toponímia, é certo que não com a determinação de outros tempos mas continuando mesmo assim a tradição professa do seu chão.
Bibliografia
Os hagiotopónimos estão nas igrejas, capelas, ermidas e conventos, mas também titulam ruas e travessas, escolas e associações, tendo inclusive assento na residência de órgãos de soberania. Mas o rol mais imponente de santos na cidade secular prende-se, sem dúvida, à sua qualificação das freguesias da capital. Das 52 presentes talvez apenas uma dezena não se prendam ao campo do religioso católico.
No entanto, a apropriação religiosa da cidade nem sempre foi consensual. Vejamos o que escreveu em 1935, com graça, o ilustre olisipógrafo Gomes de Brito:
“No Roteiro das ruas de Lisboa se pode ver que há nesta cidade, verdadeira imagem da corte do céu, tantos são os santos que patrocinam as ruas com seus nomes veneráveis. [Gomes de Brito prossegue enumerando variadíssimos topónimos] (…).
Não declaramos guerra aos santos, ainda que bem desejemos ver a capital deste país mais ilustrada e menos santarrona. Temos, porém, sumo gosto, por isso mesmo, e porque estamos convencidos de que os santos só ficam bem nos altares, em ajudar a Câmara Municipal de Lisboa com algum alvitre, uma vez que outra vez oferecido, sem pretensão como sem doutorice, a prosseguir no louvável propósito de honrar a memoria d’aqueles conterrâneos nossos, e a de estrangeiros também, que publicamente, e por actos ou factos meritórios, se hajam distinguido entre nós, bem merecendo, portanto, da posteridade reconhecida e ilustrada. (…)”
De então para cá Lisboa tem continuado a consagrar o religioso na sua toponímia, é certo que não com a determinação de outros tempos mas continuando mesmo assim a tradição professa do seu chão.
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